segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ainda que Doa

Desde que nos mudamos para Goiânia o Gu tem se desenvolvido muito bem, sua socialização tem melhorado bem como seu amadurecimento. A maior questão ainda continua sendo a comunicação, que embora esteja cada dia melhor, está longe de ser considerada ideal. No ano passado, em meados de maio, o Gu começou a gaguejar de forma bem condundente. Resolvemos então levá-lo para mais uma avaliação do Neuropsoquiatra Pediatra e novamente exames, laudos, relatórios. Ele nos solicitou uma avaliação com uma neuropsicológa e outra com a fonoaudióloga. Fomos. Achei os três excelentes profissionais, todos claros, objetivos, esclarecedores e orientadores. Fizemos também tomografia com contraste e eletroencefalograma. O primeiro nada acusou e o segundo demonstrou "uma alteração" do lado esquerdo fontal do Gu, aréa responsável entre outras coisas pela linguagem. Segundo o neuro, a gagueira pode ter causas emocionais, como pressão na escola, por exemplo, mas com certeza, essa alteração cerebral também contribui. Além disso, a neuropsicóloga nos alertou que a articulação do pensamento, a linguagem não verbal e o desenvolvimento cognitivo do Gu estão muito atrasados, e que essa alteração mostrada no eletro é como se devido à agitação, o cérebro do Gu entrasse em parafuso, sofresse uma espécie de carga excessiva, algo parecido com um curto circuito, gerando o desgaste em determinadas áreas do cérebro, no caso dele, a área da linguagem. Sendo assim, precismos estimulá-lo, fazer com que as atividades direcionadas utilizem-se da plasticidade do cérebro para que o Gu consiga compensar essas áreas com problemas. Chegando ao relatório da fono, observações muito parecidas com a da neuropsicóloga, com variação complementar de outras áreas a serem mais estimuladas, como a organização do que elas chamam de função executiva, apesar de não ter problemas auditivos, um significativo atraso das percepções auditivas tabém foi verificado pela fono entre outras coisas. Em mãos com todos os relatórios, cada um deu seu parecer. O neuropsiquiatra enquadra o Gu como Asperger, devido a suas caracteristicas dominantes se enquadrarem melhor nessa categoria. Com a ressalva de que ele não gosta de rotular nem disso nem daquilo, porque segundo ele, isso não traz benefícios algum para a criança. A Fono sugeriu um diagnóstico de Transtorno de aprendizagem, atraso de linguagem e disfluência, fazendo parte do quadro de TID. E por fim, a neuropsicóloga apenas observou que os atrasos de linguagem, memória, motora, percepção e execução sugerem um quadro de atraso cognitivo, sem características que o coloquem no espectro. Se fosse apenas o início de toda a minha busca por informações, eu teria sinceramente ficado louca, com um elefante atrás da orelha e muito confusa com a situação. Pra mim não faz mais diferença se o médico acha ou não que o Gu é autista, asperger, ou apenas está dentro do espectro. Mas de fato, para a sociedade que exige uma definição do que somos e como somos, principalmente na escola, onde o apoio nos é fundamental, a coisa toda se complica. Preciso trocar meu filho de escola para o ano que vem e vou começar a minha busca por um melhor estabelecimento para o GU. Já sei que vai ser difícil e doloroso e por isso busquei, apesar das dificuldades, essas avaliações para serem um apoio quando for conversar sobre o Gu na escola. Sinceramente, apesar de amar mu filho como ele é e não estar mais tão preocupadas com os médicos e sim muito mais com o GU, fiquei um pouco decepcionada porque em primeiro lugar, toda vez que reavaliamos e refazemos exames é como se estivéssemos colocando o dedo na ferida e em segundo, a gente percebe que no fundo, a luta continua sendo solitária. Ainda se depende muito mais do que a gente consegue aprender com as pesquisas e do que a gente consegue fazer por nossos filhos no âmbito terapeutico do que do auxílio dos médicos como um todo, porque infelizmente, apesar dos profissionais se especializarem cada vez mais, ainda lhes falta a vivência e certamente muito mais experiência ainda na prática no trato de crianças autistas. E meu Deus, como somos culpadas de tudo. Se o filho fala ou não, nossa culpa! Se tem dificuldades em brincar e socializar, nossa culpa! Se é mais agressivo ou estremamente passivo, ih, nossa culpa novamente. E olha, não é justo, porque eu nem preciso de ninguém achando que é minha culpa, porque na mair parte do tempo eu me pego sentindo-me culpada mesmo sabendo que não sou. E não sou mesmo. O Gu é como é e eu faço o meu melhor pra que ele se desenvolva da melhor maneira possível, dou lhe meu tempo, dou lhe meu amor, minha paciência e dedicação. Mas grande parte da luta e do processo acontece dentro dele, da cabeça dele e sinceramente, aonde isso vai dar eu não sei. Pra completar, perguntei a professora dele se ela gostaria de ter acesso aos relatórios já que é ela quem fica com ele em sala e ela disparou: "Ah, mãe, eu não entendo muito disso, fala com a coordenadora pedagógica que depois ela me explica". Aonde está o interesse como educadora em aprender e crescer? Não sei, sinceramente não sei. Mas apesar disso, da tristeza que às vezes vem (e é normal), ainda que doa, preciso levantar a cabeça e continuar. Meu amor não me permite esmorecer ou desanimar.

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