segunda-feira, 17 de maio de 2010

Continuação da Lição de Casa

Lição de Casa

O Gustavo começou a estudar ano passado por uma necessidade de conviver com crianças já que apresentava uma dificuldade muito grande de se socializar e de se ambientar em lugares cheio de pessoas. Foi um grande passo para nós porque tínhamos medo de tudo, principalmente da não aceitação dele e do medo de um possível trauma que complicasse ainda mais a situação. Mas estavamos errados. Apesar de um começo difícil, como todas as mães sabem que é a fase da adaptação na escola, o Gu se deu muito bem nesse ambiente. Por vários motivos: se sentiu acolhido, respeitado, amado. E por se tratar de um ser humano muito curioso, ávido por coisas novas apesar de seu medo. A escola sendo pequena, lhe permitiu se sentir seguro. Quando o ano acabou, fiquei temerosa de um retrocesso, mas nada, continuamos firmes e fortes neste ano. Mesma escola, mesmos amiguinhos e com uma nova "Tia", tudo continuou muito bem. E o resultado disso é uma criança mais feliz, mais esperta, com grandes avanços na comunicação e no seu desenvolvimento de forma geral. Pra minha alegria, o Gu adora estudar e fazer suas tarefinhas. Esse é meu lindo filho fazendo tarefinha:


segunda-feira, 10 de maio de 2010

Homenagem ao Dia Das Mães.wmv

Meu presente de Dia Das Mães

Sexta feira recebi um grande presente de Dia das Mães. A escolinha do meu filho fez uma festinha em nossa homenagem e meu querido filho participou de um teatrinho, a peça: Os Três Porquinhos. Mais do que tudo, o que me deixou feliz foi o fato do Gu aceitar ficar, mesmo que apenas 5 min quieto, vestido com seu figurino (ele foi uma linda árvore), participando de algo que envolvia o grupo. Foi emocionante ver e participar de mais uma conquista em sua vida, seu primeiro teatro. Na sua sala tem 16 lindos aluninhos, inclusive mais uma garotinha autista que participou também da peça como uma flor. Tivemos passarinhos, lobos, porquinhos, flores, o caçador e minha linda árvore. E garanto, quem estava lá não percebeu em nenhum momento que se tratava de uma criança com dificuldades de convivência, de quietude e permanência num ambiente onde havia música e som altos, pessoas estranhas (mães, avós e pais de seus coleguinhas) e muita agitação, bem como muitas cores e informações visuais. Penso que mesmo sem saber ainda, o Gu está se mostrando um pequeno guerreiro, tentando vencer seus medos e se mostrando aberto e disposto a participar de uma vida social plena. Fiquei muito orgulhosa dele. Orgulhosa da sua coragem que cada vez mais se faz presente. Como muitos pais sabem, vencemos alguns medos, aprendemos a lidar com outros, novos medos surgem ao longo do caminho, mas cada vez mais tenho a prova viva de que vale a pena cada minuto dedicado a ensinar e amar meu filho. Ele nos retribui em dobro sendo amoroso, carinho, presente em nossas atividades familiares. Curtam um pouco do Teatrinho e depois o Musical "Aos Olhos do Pai" (já neste, o Gu não quiz participar):

domingo, 2 de maio de 2010

Sinais Sugestivos de Distúrbios de Integração Sensorial nas Várias Idades

Para identificação de distúrbios, vários sinais precisam aparecer juntos (constelação de sinais).


Bebê (1º ano)

- Bebê irritável.
- Baixo tônus muscular.
- Ciclos de sono irregulares.
- Parece não gostar de ficar no colo.
- Não gosta de ficar deitado de costas.
- Desenvolvimento lento – ou qualidade dos movimentos abaixo do normal.

Infante (2º ano)

As condições podem continuar com a adição dos seguintes sinais:
- Atenção pobre.
- Desajeitado.
- Articulação verbal pobre.
- Extremamente irritado com machucado irrelevante.
- Medo de andar em certas superfícies.
- Medo de escorregador e similares.
- Faz muita bagunça quando come.
- Desenvolvimento lento da linguagem.
- Rejeição a alguns alimentos por causa da textura.

Infância (até o 3º ano primário)

As condições podem continuar com a adição dos seguintes sinais:
- Problemas de coordenação motora fina.
- Hiperatividade.
- Pobre habilidade social.
- Impulsividade.
- Chora facilmente.
- Não gosta de certas texturas (pintura a dedo, comida, massinha ...).
- Dificuldade com a atividade motora grossa.
- Cai facilmente.
- Frequentemente quebra brinquedos durante o brincar.
- Rejeita fortemente certos tipos de roupas.

Infância média (4ª a 6ª série do primeiro grau)

As condições podem continuar com a adição dos seguintes sinais:
- Aumentam os problemas acadêmicos/atenção.
- Problemas de comportamento.
- Pouco organizado ou compulsivamente organizado.
- Reverte letras na escrita e leitura.
- Dificuldade para manter o ritmo dos colegas nas atividades.

Pré-adolescência

As condições podem continuar com a adição dos seguintes sinais:
- Problemas de organização.
- Dificuldade para concluir o para casa/atenção.
- Imaturidade nas habilidades físicas e sociais.
- Problemas mais severos de comportamento (brigas, irritabilidade ...).
- Perde ou esquece as coisas.
- Muitas vezes isolado socialmente e as vezes muito emocional.
- Escolhe esportes individuais (correr, nadar) ou com mais contato físico e evita esportes de grupo, como basquete e vôlei.

O Perfil Sensorial da Criança Autista

O número de diagnóstico de Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID) vem crescendo de uma forma surpreendente nos últimos anos. Muitos esforços têm sido dirigidos para se entender melhor esse diagnóstico e ao aperfeiçoamento de métodos que possam ajudar no tratamento dessas crianças.
O diagnóstico de autismo se aplica quando há evidências nos problemas de interação social, na comunicação e nos comportamentos estereotipados.
Estudos recentes mostram que mais de 90% das crianças com TID têm um déficit no processamento sensorial, o qual interfere em suas habilidades de interagir com o mundo.
Uma abordagem que tem sido muito utilizada com esta clientela é da integração sensorial. A integração sensorial é um processo neurológico que ocorre em todos nós. Nosso cérebro está programado para organizar e integrar as informações sensoriais que recebemos do ambiente. A integração sensorial nos possibilita respostas adaptativas e eficientes de cada sistema sensorial.

INTEGRAÇÃO SENSORIAL é “um processo neurológico que organiza as sensações do próprio corpo e do ambiente, de forma a ser possível o uso eficiente do corpo no ambiente.” O objetivo de terapia para crianças com autismo é melhorar o processamento sensorial de modo que as sensações sejam efetivamente registradas e moduladas encorajando a forma respostas adaptativas simples e aprender a organizar seu comportamento ... (Jean Ayres)

O Perfil Sensorial de Winnie Dun, um questionário padronizado utilizado para avaliar crianças com distúrbios de integração sensorial (DIS), fornece uma riqueza de dados na variabilidade do processamento sensorial da criança autista, ao se comparar com crianças sem o diagnóstico de autismo, mas com DIS.
Foram realizados 40 questionários com crianças de 4 à 12 anos. Este grupo foi dividido entre crianças com o diagnóstico de autismo e crianças sem esse diagnóstico, mas com a disfunção de integração sensorial presente.
Existem diferenças significativas entre o Perfil Sensorial da criança com TID e crianças com DIS. Essas diferenças afetam a forma pela qual a criança aprende e interage com o mundo. Seu comportamento pode ser melhor compreendido à partir de seu processamento sensorial. Entender melhor como funciona o processamento sensorial destas crianças, nos auxilia em nosso raciocínio clínico, assim como uma melhor orientação aos pais e profissionais que trabalham com estas crianças.

Integração Sensorial

Todo ser humano tem uma maneira singular de processar e responder a diferentes estímulos. Uma vez que o cérebro registra a informação sensorial do nosso corpo e processa essa informação, ele a interpreta e a organiza de maneira a executar os devidos comandos que irão responder as informações recebidas.

O QUE É INTEGRAÇÃO SENSORIAL ?
Todas as informações que recebemos sobre o mundo chegam a nós através de nossos sistemas sensoriais. A habilidade para integrar informações sensoriais é essencial para a aprendizagem e organização do comportamento.

QUAIS SÃO OS SISTEMAS SENSORIAIS ?
Os sistemas mais conhecidos são a visão, a audição, a gustação, e o olfato, mas outros sistemas, relacionados à sensação corporal e ao controle dos movimentos, são também importantes:

Sistema tátil: Informa o que está em contato com a pele: temperatura (calor/frio), textura (macio/áspero) e estereognosia (reconhecimento do objeto sem o auxílio da visão). O tato tem a função de proteger, pois nos informa o que representa perigo, para reagirmos e nos afastarmos. Também nos ajuda a sentir a posição dos objetos na mão para manejá-los corretamente.

Sistema vestibular: Informa sobre a movimentação do corpo no espaço e as mudanças na posição da cabeça. É importante para o equilíbrio, coordenação olho-mão e coordenação bilateral (coordenação dos dois lados do corpo).

Sistema proprioceptivo: Informa a posição do corpo no especo e é essencial para o planejamento dos movimentos.

Para muitos pesquisadores a integração dos sentidos ocorre sem que a percebamos. Para outros, a integração sensorial acontece de maneira diferenciada, o que pode ser a origem de vários problemas de funcionamento, chamada de "Sensory Processing Disorder" (em português seria “confusão/perturbação ou doença do processamento sensorial).

O QUE É DISFUNÇÃO DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL ?
É o processamento inadequado de informações sensoriais, o que pode levar a dificuldade de aprendizagem e a problemas de comportamento na criança. As falhas mais comuns são nas áreas de processamento tátil, vestibular e proprioceptivo, podendo resultar em problemas motores e dificuldades no desempenho de atividades, tais como jogar bola, andar de bicicleta, se vestir, prestar atenção na aula, escrever e desenhar.

Sensory Processing disorder (SPD) - descoberta pela primeira vez, nos anos 50, pelo Dr. Jean Ayres, terapeuta ocupacional - atinge o sistema nervoso, que provoca dificuldades de compreensão, organização e integração. Talvez essa perturbação ocorra individualmente ou em conjunto com outras, como a dificuldade de atenção, autismo, paralisia cerebral, síndrome de Down, entre outras.
Essa perturbação sensorial varia de pessoa para pessoa e, associada ao stress e desconforto corporal, pode afetar a habilidade da criança e provocar um déficit de atenção na mesma. O que irá afetar profundamente a comunicação, a sociabilidade, o aprendizado, o comportamento e o senso de regularidade da criança. Os três tipos mais importantes de processamento sensorial: alta, média e baixa sensibilidade. Refiro-me aos sentidos individuais equilibrando suas reações para que sejam reguladas em quaisquer situações.

Por exemplo, crianças que passam por experiências de alta sensibilidade, tendem a sentir sensações muito intensas. Como conseqüência, elas reagem sempre como se a maioria das situações fossem perigosas e, às vezes, dolorosas. Nesse sentido, na maioria das vezes, tendem a fugir de situações semelhantes. Como conseqüência, talvez se esquivem quando alguém tentar tocá-las, chegando mesmo a não suportar o contato com as etiquetas das roupas e tornam-se muito agitadas se suas mãos são expostas a texturas de determinados produtos como areia, barro ou lama, por exemplo. Tendo como provável reação gritos durante a lavagem dos cabelos e apresentam verdadeiro ódio de penteá-los. São bem seletivas com alimentação, super sensíveis a cheiros e frequentemente tapam seus ouvidos para não escutarem o barulho de aparelhos como o liquidificador e o aspirador de pó. Fixam a atenção em sons repetitivos como o tic-tac do relógio e se sentem demasiadamente estimuladas em ambientes repletos de objetos. Cobrem os olhos quando são expostas a claridade, rejeitam certos movimentos e brinquedos como o balanço ou o escorrego.

As crianças que possuem experiências de baixa sensibilidade têm dificuldades de registrar as informações sensoriais e necessitam de vários estímulos para que possam respondê-las. Na maioria dos casos, elas têm tolerância maior a dor; tendem a andar sem sapatos; constantemente tocam objetos e pessoas; quase sempre estão batendo ou tropeçando em algo; mastigam objetos como lápis; sentem dificuldade em seguir certas direções; falam muito alto; cheiram objetos; perseguem movimentos rápidos e rotativos sem ficarem tontas; adoram balanços, subir em árvores, ou seja, diversões que oferecem algum risco e que se movem constantemente.

Já crianças que experienciam a média sensibilidade, talvez possuam alta sensibilidade para certos tipos de estímulos sensoriais e baixa sensibilidade a outros.

QUAIS SÃO OS SINAIS DE DISFUNÇÃO DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL ?

• Pouca ou muita sensibilidade ao toque, ao movimento, a estímulos visuais e auditivos;
• Medo excessivo de altura e movimento, medos de balanços e de brinquedos de parque;
• Pobre coordenação motora e equilíbrio;
• Criança excessivamente ativa ou muito lenta, cansando-se facilmente;
• Comportamento impulsivo ou dispersivo;
• Atraso na fala e linguagem;
• Baixo rendimento escolar e problemas de escrita;
• Dificuldades para planejar movimentos e seqüenciar tarefas;
• Dificuldade para brincar e fazer amigos;
• Dificuldade para se ajustar a situações novas, rejeitando mudanças de rotina e apresentando comportamentos freqüentes de agressão ou frustração;
• Criança desmotivada, com baixa auto-estima e que evita novas atividades e desafios.

COMO OS PAIS PODEM AJUDAR ?
Os pais podem ajudar sua criança reconhecendo quando ela tem problemas, dando suporte e maior atenção às atividades escolares e, quando necessário, procurando a ajuda de profissionais qualificados. É importante observar como a criança reage aos diferentes estímulos durante as atividades do dia-a-dia e nas brincadeiras. Procure conhecer os interesses e necessidades individuais de sua criança, de forma a proporcionar um ambiente seguro e estimulante que favoreça o crescimento saudável e o desenvolvimento.

COMO A TERAPIA OCUPACIONAL PODE AJUDAR ?
Primeiro é feita uma avaliação para detectar problemas e definir o programa de tratamento. Se há sinais de falha de processamento sensorial, o terapeuta ocupacional poderá usar recursos da abordagem de integração sensorial. A terapia de Integração Sensorial baseia-se no uso de atividades que desafiam as habilidades da criança e estimulam respostas organizadas a diferentes estímulos sensoriais.
As atividades proporcionam estimulação tátil, vestibular e proprioceptiva e são escolhidas de acordo com as necessidades específicas de cada criança. A terapia geralmente é muito divertida, pois o ambiente clínico inclui escorregador, carrinhos de rolimã, balanços, trapézio, bolas de diferentes tamanhos, rolos de espuma, colchões, almofadas e uma variedade de brinquedos para a idade da criança. Nesse ambiente de brincadeira, o terapeuta ocupacional ajuda a alcançar sucesso em atividades que provavelmente não ocorreriam no brincar não-orientado. As atividades são planejadas para dar o “desafio na medida certa” para estimular o desenvolvimento e melhorar o desempenho funcional da criança. O tratamento proporciona melhoras significativas no brincar, nas atividades de vida diária e na escola, resultando em melhorias no rendimento escolar, na auto-estima e qualidade de vida da criança.
O importante é dar a devida importância à questão sensorial e que esta possa ser identificada antes de qualquer intervenção psicológica. Se for identificado qualquer transtorno no processamento sensorial de alguma criança, o procedimento mais adequado deverá ser conduzi-la a uma terapeuta de integração sensorial, que poderá descrever uma dieta e uma sequência de exercícios que estimulará o sistema nervoso e ajudar o cérebro a processar as informações sensoriais necessárias para o seu desenvolvimento.